Posts Tagged: ciclope


26
ago 10

FAD 2010

No dia 03 de setembro, Chico, Tatu e Fabiano se apresentam no Teatro Klaus Vianna, na OI Futuro, a partir das 20h00. A programação está imperdível. Acompanhem no site do FAD os simpósios, as performances, laboratórios e mostras.

Por aqui você poderá acompanhar um pouco da nossa proposta, em andamento, sendo desenvolvida a partir de pesquisa descrita aqui. A partir da semana que vem um dia-a-dia da preparação da performance, imagens, sons, referências, contexto…

tatu guerra, fabiano fonseca e chico de paula

tatu guerra, fabiano fonseca e chico de paula

acompanhem!!!!!


25
mai 10

ÚLTIMOS DIAS

Em Nova Matrona, distrito criado pela lei nº 1435, de 20-12-1999 e incorporado à Salinas, passamos os últimos dias por aqui. Entre crianças folgando na praça, colheitas de tomate, plantações de cana, forró e futebol, nos misturamos um pouco. Conhecendo o  sal da terra, da “melhor terra do Brasil”. Entre a gente do sertão, como diz Eilton, Matrona sai sempre na frente. Se depender de Zezé e sua gente, sai mesmo. Salinas vive em cada distrito, em cada pessoa, sua singularidade e multiplicidade. As diferenças compõem o retrato que penduramos nas paredes das fazendas. A relação com o (vasto) mundo é enorme. Dos figurinos às linguagens, etnias, paisagens. Até choveu, no seco da terra que pode ainda melhorar. No vermelho da paisagem, que cola em nossos pés, fica a saudade do tempo entre a gente que sabe bem que seus valores estão além da cachaça, que é finíssima, sempre. A cultura dessa região é fundamental pra se entender quem somos. Minas está ainda viva aqui, em sua melhor forma. Salinas ainda fornece o ingrediente que não pode faltar no tempero de nossa alma mineira.

cada peão com seu corcel

cada peão com seu corcel

tudo começa cedo

tudo começa cedo

cultivo da melhor terra do Brasil

cultivo da melhor terra do Brasil

cultivo

entre o azul e o encarnado

figurino de guerrilha, sol de deserto; trabalho árduo

figurino de guerrilha, sol de deserto; trabalho árduo

cores vivas

cores vivas

sol de deserto sombreando contornos

sol de deserto sombreando contornos

o mar de cana, em ondas

o mar de cana, em ondas

sombra fresca; tempo dilatado

sombra fresca; tempo dilatado

o gol que só Adélia acha que nunca repetirá

o gol que só Adélia acha que nunca repetirá

um gol de cada em cada tempo; tempo de comemorar

um gol de cada em cada tempo; tempo de comemorar

em Matrona nenhuma, chuva que é boa impede festa

em Matrona nenhuma, chuva que é boa impede festa

ruas de gente e gente

ruas de gente e gente

escoando pelas esquinas

escoando pelas esquinas

pode balançar, pode balançar....

pode balançar, pode balançar....


20
mai 10

PARADA

Amanhã é dia de acertar as contas, despedir das pessoas, arrumar bagagem. Depois de amanhã, passamos o dia na Matrona, pra visitar a fábrica da Canarinha e a vida por lá. E ainda, de quebra, assistir e participar da festa de entrega das faixas do Time Femninino de Nova Matrona, campeã invicta do primeiro torneio de futebol feminino da região.

Depois, estrada pra BH, pausa pra retomar a vida e pé na estrada de novo, pra voltar pra mata atlântica…


20
mai 10

MONTES CLARINHOS

Na região de Salinas, inúmeros municípios ajudam a contar a história desse vale. Passando por Ferreirópolis, paramos pra observar momentos cotidianos onde obejtos assumem vida e parecem pensar, esperando a hora pra tirar conclusão. O antigo mercado, que “hoje é cadeira pra aposentado”, fica ao lado da igreja, cuja torre se avista da BR 251. Caminho pra Montes Clarinhos. A 13 Km dali, o que nos espera é a espera. O que poderia ser uma pequena vila com uma escola e uma ou duas igrejas, se mostra aprendizado no tempo do vale. Aqui, em qualquer lugar, a prosa fica aparente quando requisitada em simpatia. Dé da Venda mostra a história do lugar no tempo de seu balcão, de bebidas ainda armazenadas nas estantes, e numa recepção que demonstra um sentimento que estava escondido: receber aqui é arte. Na prosa e na serventia. Um almoço invejável nos foi servido na casa de Dé, onde ainda arrematamos requeijão escuro, com cheiro que justifica o nome de um dos pecados capitais. A história da família contada em retratos, prosa e café depois do almoço, me dá a certeza que sempre intui. O melhor desses trabalhos nunca pode ser registrado. Essa receptividade, esse calor, essa conversa, é presente que se dá quando se confia, pra uma pessoa só. Coisa feita pra outros verem não. A cumplicidade implícita me faz nunca levar a câmera nesses casos. O almoço e a prosa foram reserva que levaremos. Se aqui volto, lá estarei, pra mais prosa com Dé e seus visitantes dominicais, onde a disputa é pela mentira, folgueada abertamente em provocação. “Aqui domingo é cada mentiroso que dá vontade de verter água”. Sábio Dé.

no sol, nenhum aposentado sentado à sombra

no sol, nenhum aposentado sentado à sombra

atento, vigia diurno e noturno

atento, vigia diurno e noturno

os bichos olham e observam a gente estranha

os bichos olham e observam a gente estranha

divinamente

divinamente

o tempo espera em Ferreirópolis

o tempo espera em Ferreirópolis

cadeiras cativam

cadeiras cativam

o vale, entre Ferreirópolis e Montes Clarinhos

o vale, entre Ferreirópolis e Montes Clarinhos

as nuvens passeando em show pelo céu

as nuvens passeando em show pelo céu

e os urubus pelas nuvens

e os urubus pelas nuvens

"esse tanto tá bom, parceiro?"

"esse tanto tá bom, parceiro?"

Dé sorri pra vida

Dé sorri pra vida


20
mai 10

ORQUESTRA SANFÔNICA

Nesta noite tivemos o prazer de ouvir parte da Orquestra performar pra gente. Belas interpretações, vivas, de músicas que se tornaram clássicos…O Maestro Serginho conduz os sanfoneiros com o que é próprio de seu ofício. E dobra, sanfona…

no teatro de arena do novo centro cultural

no teatro de arena do novo centro cultural

dobra, dobra, sanfoneiro dobra a sanfona

dobra, dobra, sanfoneiro dobra a sanfona

maestro compenetrado

maestro compenetrado


20
mai 10

APACS

Eilton, presidente da Associação, nos contou como será o IX Festival da cachaça, de 16 a 18 de julho de 2010. Também nos falou sobre as lutas e conquistas da Associação dos Produtores Artesanais da Cachaça de Salinas. No restante da tarde, passeamos pela cidade buscando um recorte entre mascates e o sol que se punha, com nuvens nem tão raras nesses dias…

na sua gestão dobraram os associados

na sua gestão dobraram os associados

aqui achei um presente pra minha filha

aqui achei um presente pra minha filha

céu de maio, a tarde começa a cair

céu de maio, a tarde começa a cair

o tempo passa

o tempo passa

onde se juntam as nebulosas

onde se juntam as nebulosas


18
mai 10

TANOAGEM

Navegando pela cidade, paramos numa Tanoaria que começou como uma espécie de cooperativa entre tanoeiros, formados no trabalho com o Sr Antônio Rodrigues. Independentes, hoje constroem a mais fina marcenaria. De tonéis e barris a tinas e móveis. Passamos um tempo com eles, acompanhando cada etapa da fabricação dos armazenadores e envelhecedores de cachaça.

Edvar explica o processo, do corte das madeiras as corte de cabelo

Edvar explica o processo, da escolha das madeiras ao acabamento

corte pra tonel

corte pra tonel

corte pra barril

corte pra barril

Marcos medindo pra cortar os aros

Marcos medindo pra cortar os aros

José Nelson soldando os aros

José Nelson soldando os aros

torno pra fixar os aros, método pioneiro da tanoaria carvalho

torno pra fixar os aros, método pioneiro da tanoaria carvalho

afinando arestas

afinando arestas

acabamento: cera

acabamento: cera

pra envelhecer cachaça e enrugar gente

pra envelhecer cachaça e enrugar gente


17
mai 10

PRETO CÂNDIDO

Preto Cândido e Antônia nos receberam na Fazenda Olinda, com uma prosa afinada, além de um café delicioso. Casados desde 45, a harmonia entre eles se espalha pela casa e pela propriedade. Desde as árvores beirando a cerca até cada detalhe de cada plantação ou criação, tudo impressiona, pela qualidade, limpeza, organização e beleza. Oito filhos criados com a lavoura, muita simplicidade, dignidade e inteligência, além de uma educação primorosa, percebida em cada trabalhador da Fazenda Olinda. Pode até parecer conto, mas cada animal dali tem a mesma elegância, porte e delicadeza. Quem duvida? Vá a Matrona e comprove…

espreitando o tempo

espreitando o tempo

tração animal

tração animal

recepção sempre calorosa

recepção sempre calorosa

pense numa afinidade...

pense numa afinidade...

a história pendurada na parede

a história pendurada na parede

Depois, de lá voltamos a Salinas, com a impressão de que a cada dia podemos nos surpreender com a generosidade e integridade dessa gente, que a cidade grande já não tem serventia pra paz que a gente encontra por aqui.

Paramos no caminho, pra olhar Ferreirópolis um pouco mais de perto e fomos circular por Slainas, pra observar um pouco mais dos hábitos da cidade.

Ferreirópolis, no caminho de Nova Matrona

Ferreirópolis, no caminho de Nova Matrona

motos e bicicletas, duas constantes

motos e bicicletas, duas constantes


17
mai 10

MÃE RAINHA

Na despedida de Marília, passamos pela coroação da Mãe Rainha, organizada pelo Padre Adão. Desde a procissão na Matriz de São Geraldo até a missa e a quermesse, acompanhamos o fervor salinense. Sempre cheias de gente as festas. Sempre a devoção cantando e guiando Minas, no meio do sertão e da dureza de um sol úmido.

no andar do andor

no andar do andor

bandeiras, entradas da junho e julho que se aproximam

bandeiras, entradas de junho e julho que se aproximam

há tempos não via uma imagem religiosa forte assim

há tempos não via uma imagem religiosa forte assim

rosa é a cor do céu, quem duvida?

rosa é a cor do céu, quem duvida?

a santa se inclina pra receber as coroas da mão de outra

a santa se inclina pra receber as coroas da mão de outra


16
mai 10

REPRESA, ÁGUA E FESTA

Em Salinas, até pouco tempo atrás, água era raridade. Construída pela Cemig na década de 1990, a represa de Salinas possui cerca de 6 quilômetros quadrados de espelho d’água. É uma das maiores do Norte de Minas e resolveu, definitivamente, o problema de abastecimento de água no município. (fonte:  Saudade de Salinas)

Fomos à represa presenciar um encontro de pescadores, ouvir modas de viola, comer boa carne, beber boa cachaça e ainda ganhar apelidos e rir bastante do bom e afinado humor local. Primeiramente numa parada para encontro no Boca de Vaca, a festa se encerrou com cantoria na casa do Dr Luciano, que também nos levou por um passeio pela barragem, linda, num fim de tarde não menos hospitaleiro.

Romeu, pescador e protetor do Dr Luciano, costuma colocar uma piaba na água destinada ao Dr nas pescarias, para que ele não morra afogado. Captar imagens e histórias é como pescar. Entender o tempo, os peixes e ter paciência são ingredientes fundamentais. A nossa pescaria, por outro lado, mostra os peixes e nunca precisa comprá-los no mercado na volta pra casa…

na primeira parada, a carne já assava quando chegamos

na primeira parada, a carne já assava quando chegamos

teve quem tentasse fingir que foi pra pescar

teve quem tentasse fingir que foi pra pescar

trazendo a picardia

trazendo a picardia

quem brinca com água se queima na cama?

quem brinca com água se queima na cama?

Dr Luciano

Dr Luciano

fim da tarde, a terra cora

fim da tarde, a terra cora

vasto espelho d'água

vasto espelho d'água

a barragem: limite entre o ar e a água

a barragem: limite entre o ar e a água

remando contra a corrente

remando contra a corrente

ilhas na barragem, várias, paraísos na água

ilhas na barragem, várias, paraísos na água

em direção à cor do sol

em direção à cor do sol

em Boca de Vaca, o fumo é de rolo

em Boca de Vaca, o fumo é de rolo

alegria e cantoria: não faltavam em mim e em ninguém

alegria e cantoria: não faltavam em mim e em ninguém

Quando Salinenses se reúnem, sempre tem história boa, verdadeira ou não, pouco importa, como diz o Guto, Salinense ausente. Importa é a ciência dos fatos e o veredito das hostes. Pra quem quer saber mais, além do blog citado acima, tem também o do Roberto Santiago, escritor, completa referência sobre a cidade.