Posts Tagged: Literatura


25
mai 10

ÚLTIMOS DIAS

Em Nova Matrona, distrito criado pela lei nº 1435, de 20-12-1999 e incorporado à Salinas, passamos os últimos dias por aqui. Entre crianças folgando na praça, colheitas de tomate, plantações de cana, forró e futebol, nos misturamos um pouco. Conhecendo o  sal da terra, da “melhor terra do Brasil”. Entre a gente do sertão, como diz Eilton, Matrona sai sempre na frente. Se depender de Zezé e sua gente, sai mesmo. Salinas vive em cada distrito, em cada pessoa, sua singularidade e multiplicidade. As diferenças compõem o retrato que penduramos nas paredes das fazendas. A relação com o (vasto) mundo é enorme. Dos figurinos às linguagens, etnias, paisagens. Até choveu, no seco da terra que pode ainda melhorar. No vermelho da paisagem, que cola em nossos pés, fica a saudade do tempo entre a gente que sabe bem que seus valores estão além da cachaça, que é finíssima, sempre. A cultura dessa região é fundamental pra se entender quem somos. Minas está ainda viva aqui, em sua melhor forma. Salinas ainda fornece o ingrediente que não pode faltar no tempero de nossa alma mineira.

cada peão com seu corcel

cada peão com seu corcel

tudo começa cedo

tudo começa cedo

cultivo da melhor terra do Brasil

cultivo da melhor terra do Brasil

cultivo

entre o azul e o encarnado

figurino de guerrilha, sol de deserto; trabalho árduo

figurino de guerrilha, sol de deserto; trabalho árduo

cores vivas

cores vivas

sol de deserto sombreando contornos

sol de deserto sombreando contornos

o mar de cana, em ondas

o mar de cana, em ondas

sombra fresca; tempo dilatado

sombra fresca; tempo dilatado

o gol que só Adélia acha que nunca repetirá

o gol que só Adélia acha que nunca repetirá

um gol de cada em cada tempo; tempo de comemorar

um gol de cada em cada tempo; tempo de comemorar

em Matrona nenhuma, chuva que é boa impede festa

em Matrona nenhuma, chuva que é boa impede festa

ruas de gente e gente

ruas de gente e gente

escoando pelas esquinas

escoando pelas esquinas

pode balançar, pode balançar....

pode balançar, pode balançar....


20
mai 10

PARADA

Amanhã é dia de acertar as contas, despedir das pessoas, arrumar bagagem. Depois de amanhã, passamos o dia na Matrona, pra visitar a fábrica da Canarinha e a vida por lá. E ainda, de quebra, assistir e participar da festa de entrega das faixas do Time Femninino de Nova Matrona, campeã invicta do primeiro torneio de futebol feminino da região.

Depois, estrada pra BH, pausa pra retomar a vida e pé na estrada de novo, pra voltar pra mata atlântica…


20
mai 10

MONTES CLARINHOS

Na região de Salinas, inúmeros municípios ajudam a contar a história desse vale. Passando por Ferreirópolis, paramos pra observar momentos cotidianos onde obejtos assumem vida e parecem pensar, esperando a hora pra tirar conclusão. O antigo mercado, que “hoje é cadeira pra aposentado”, fica ao lado da igreja, cuja torre se avista da BR 251. Caminho pra Montes Clarinhos. A 13 Km dali, o que nos espera é a espera. O que poderia ser uma pequena vila com uma escola e uma ou duas igrejas, se mostra aprendizado no tempo do vale. Aqui, em qualquer lugar, a prosa fica aparente quando requisitada em simpatia. Dé da Venda mostra a história do lugar no tempo de seu balcão, de bebidas ainda armazenadas nas estantes, e numa recepção que demonstra um sentimento que estava escondido: receber aqui é arte. Na prosa e na serventia. Um almoço invejável nos foi servido na casa de Dé, onde ainda arrematamos requeijão escuro, com cheiro que justifica o nome de um dos pecados capitais. A história da família contada em retratos, prosa e café depois do almoço, me dá a certeza que sempre intui. O melhor desses trabalhos nunca pode ser registrado. Essa receptividade, esse calor, essa conversa, é presente que se dá quando se confia, pra uma pessoa só. Coisa feita pra outros verem não. A cumplicidade implícita me faz nunca levar a câmera nesses casos. O almoço e a prosa foram reserva que levaremos. Se aqui volto, lá estarei, pra mais prosa com Dé e seus visitantes dominicais, onde a disputa é pela mentira, folgueada abertamente em provocação. “Aqui domingo é cada mentiroso que dá vontade de verter água”. Sábio Dé.

no sol, nenhum aposentado sentado à sombra

no sol, nenhum aposentado sentado à sombra

atento, vigia diurno e noturno

atento, vigia diurno e noturno

os bichos olham e observam a gente estranha

os bichos olham e observam a gente estranha

divinamente

divinamente

o tempo espera em Ferreirópolis

o tempo espera em Ferreirópolis

cadeiras cativam

cadeiras cativam

o vale, entre Ferreirópolis e Montes Clarinhos

o vale, entre Ferreirópolis e Montes Clarinhos

as nuvens passeando em show pelo céu

as nuvens passeando em show pelo céu

e os urubus pelas nuvens

e os urubus pelas nuvens

"esse tanto tá bom, parceiro?"

"esse tanto tá bom, parceiro?"

Dé sorri pra vida

Dé sorri pra vida


20
mai 10

APACS

Eilton, presidente da Associação, nos contou como será o IX Festival da cachaça, de 16 a 18 de julho de 2010. Também nos falou sobre as lutas e conquistas da Associação dos Produtores Artesanais da Cachaça de Salinas. No restante da tarde, passeamos pela cidade buscando um recorte entre mascates e o sol que se punha, com nuvens nem tão raras nesses dias…

na sua gestão dobraram os associados

na sua gestão dobraram os associados

aqui achei um presente pra minha filha

aqui achei um presente pra minha filha

céu de maio, a tarde começa a cair

céu de maio, a tarde começa a cair

o tempo passa

o tempo passa

onde se juntam as nebulosas

onde se juntam as nebulosas


17
mai 10

PRETO CÂNDIDO

Preto Cândido e Antônia nos receberam na Fazenda Olinda, com uma prosa afinada, além de um café delicioso. Casados desde 45, a harmonia entre eles se espalha pela casa e pela propriedade. Desde as árvores beirando a cerca até cada detalhe de cada plantação ou criação, tudo impressiona, pela qualidade, limpeza, organização e beleza. Oito filhos criados com a lavoura, muita simplicidade, dignidade e inteligência, além de uma educação primorosa, percebida em cada trabalhador da Fazenda Olinda. Pode até parecer conto, mas cada animal dali tem a mesma elegância, porte e delicadeza. Quem duvida? Vá a Matrona e comprove…

espreitando o tempo

espreitando o tempo

tração animal

tração animal

recepção sempre calorosa

recepção sempre calorosa

pense numa afinidade...

pense numa afinidade...

a história pendurada na parede

a história pendurada na parede

Depois, de lá voltamos a Salinas, com a impressão de que a cada dia podemos nos surpreender com a generosidade e integridade dessa gente, que a cidade grande já não tem serventia pra paz que a gente encontra por aqui.

Paramos no caminho, pra olhar Ferreirópolis um pouco mais de perto e fomos circular por Slainas, pra observar um pouco mais dos hábitos da cidade.

Ferreirópolis, no caminho de Nova Matrona

Ferreirópolis, no caminho de Nova Matrona

motos e bicicletas, duas constantes

motos e bicicletas, duas constantes


17
mai 10

MÃE RAINHA

Na despedida de Marília, passamos pela coroação da Mãe Rainha, organizada pelo Padre Adão. Desde a procissão na Matriz de São Geraldo até a missa e a quermesse, acompanhamos o fervor salinense. Sempre cheias de gente as festas. Sempre a devoção cantando e guiando Minas, no meio do sertão e da dureza de um sol úmido.

no andar do andor

no andar do andor

bandeiras, entradas da junho e julho que se aproximam

bandeiras, entradas de junho e julho que se aproximam

há tempos não via uma imagem religiosa forte assim

há tempos não via uma imagem religiosa forte assim

rosa é a cor do céu, quem duvida?

rosa é a cor do céu, quem duvida?

a santa se inclina pra receber as coroas da mão de outra

a santa se inclina pra receber as coroas da mão de outra


16
mai 10

REPRESA, ÁGUA E FESTA

Em Salinas, até pouco tempo atrás, água era raridade. Construída pela Cemig na década de 1990, a represa de Salinas possui cerca de 6 quilômetros quadrados de espelho d’água. É uma das maiores do Norte de Minas e resolveu, definitivamente, o problema de abastecimento de água no município. (fonte:  Saudade de Salinas)

Fomos à represa presenciar um encontro de pescadores, ouvir modas de viola, comer boa carne, beber boa cachaça e ainda ganhar apelidos e rir bastante do bom e afinado humor local. Primeiramente numa parada para encontro no Boca de Vaca, a festa se encerrou com cantoria na casa do Dr Luciano, que também nos levou por um passeio pela barragem, linda, num fim de tarde não menos hospitaleiro.

Romeu, pescador e protetor do Dr Luciano, costuma colocar uma piaba na água destinada ao Dr nas pescarias, para que ele não morra afogado. Captar imagens e histórias é como pescar. Entender o tempo, os peixes e ter paciência são ingredientes fundamentais. A nossa pescaria, por outro lado, mostra os peixes e nunca precisa comprá-los no mercado na volta pra casa…

na primeira parada, a carne já assava quando chegamos

na primeira parada, a carne já assava quando chegamos

teve quem tentasse fingir que foi pra pescar

teve quem tentasse fingir que foi pra pescar

trazendo a picardia

trazendo a picardia

quem brinca com água se queima na cama?

quem brinca com água se queima na cama?

Dr Luciano

Dr Luciano

fim da tarde, a terra cora

fim da tarde, a terra cora

vasto espelho d'água

vasto espelho d'água

a barragem: limite entre o ar e a água

a barragem: limite entre o ar e a água

remando contra a corrente

remando contra a corrente

ilhas na barragem, várias, paraísos na água

ilhas na barragem, várias, paraísos na água

em direção à cor do sol

em direção à cor do sol

em Boca de Vaca, o fumo é de rolo

em Boca de Vaca, o fumo é de rolo

alegria e cantoria: não faltavam em mim e em ninguém

alegria e cantoria: não faltavam em mim e em ninguém

Quando Salinenses se reúnem, sempre tem história boa, verdadeira ou não, pouco importa, como diz o Guto, Salinense ausente. Importa é a ciência dos fatos e o veredito das hostes. Pra quem quer saber mais, além do blog citado acima, tem também o do Roberto Santiago, escritor, completa referência sobre a cidade.


15
mai 10

VILA SOBRADINHO, N Sra De FÁTIMA

Há tempos não via uma coroação. Nesta quinta assistimos a de N Sra de Fátima, organizada pelos festeiros da Vila Sobradinho. Padre Dandão, como um ou outro membro da paróquia o chama, também organiza a festa pra Mãe Rainha, com procissão no domingo. Estaremos lá, revendo as manifestações de fé do povo mineiro.

A Vila Sobradinho é um resultado da barragem Salinas, que visitaremos no dia seguinte, pra acompanhar uma festa profana, dos pescadores, pra celebrar a amizade. Na missa, os cantos e acelebração é solene e informal, no quintal. N Sra de Fátima nos recebeu com caldo de amendoim, canjica, música e a costumeira hospitalidade. No quintal não existem portas nem seleção. Todos podem entrar.

Igreja N Sra de Fátima

Igreja N Sra de Fátima

são ou não, anjos?

são ou não, anjos?


14
mai 10

INSTITUTO AGROTÉCNICO

Visitamos hoje o Instituto, assistimos a uma aula de marketing pra turma do último ano de Tecnólogos em Cachaça, conversamos com a Edilene Alves Barbosa, coordenadora do curso e, de quebra, presenciamos uma prova de degustação, num laboratório finíssimo, extremamente bem montado. A estrutura do curso é invejável. A capacidade (hoje são cerca de 10 professores se doutorando em cachaça) e as pesquisas, requisitadas por todo o país, demonstram isso – inclusive dando assistência à AMPAC.

uma das instalações

uma das instalações

Edson, na aula de marketing

Edson, na aula de marketing

Gislane

Gislane

Cleide

Cleide

Jovanir

Jovanir

Dayany

Dayany

Patrícia Mayumi

Patrícia Mayumi

Paulo

Paulo

Clarice Glace

Clarice Glace

Abraão

Abraão

Fagner

Fagner

Éder

Éder

Catiane

Catiane

Edilene A. BArbosa

Edilene A. BArbosa

preparando as amostras pra serem degustadas

preparando as amostras pra serem degustadas

esperando pra provar

esperando pra provar

Em tempo: está por vir uma cachaça produzida por eles- quem experimentou diz ser de altíssima qualidade. A Reserva do Tecnólogo promete. Em terra de tradição no produto, no lugar onde se aprende cientificamente o que a experiência e a vida fornecem como material de labuta e estudo, essa é uma que eu não quero deixar de conhecer. Imagine uma cachaça produzida por exímios provadores, treinados e capacitados para tal, desenvolvendo todos os ítens da percepção sensorial necessários pra se reconhecer uma boa cachaça? Com o conhecimento e os sentidos caminhando juntos, no Instituto em Salinas a vida e a ciência se unem magistralmente.


14
mai 10

FÉ, HISTÓRIA

Fomos visitar a fazenda do Xavier, da Sabiá. Fomos ver a caldeira histórica, vinda dos ingleses, os animais de sua fazenda e também conhecer o antigo oratório de sua mãe, forrado com os selos de cachaça de 1952, impressos pela Casa da Moeda. Este oratório simples, que ficava dentro da parede da fazenda da casa de seus pais, guarda e simboliza a união e valores ainda muito presentes em Salinas.

Símbolo da fé, coberto com os selos da cachaça, o oratório conta sozinho a história dos pais de Xavier. O que mais vale aqui é o amor preservado, na fé e no mosto fermentado da cana.

o oratório retirado da parede

o oratório retirado da parede

CR$

CR$R PARA VER

detalhes de um amor gravado no tempo e na fé

detalhes de um amor gravado no tempo e na fé

um casal selado na cumplicidade

um casal selado na cumplicidade

marcas permanecem

marcas permanecem

Xavier e sua mulher nos mostraram um pouco mais da hospitalidade do norte de Minas, num café delicioso com suco e pão de queijo da hora. Mostrou, além da fábrica, os bichos que povoam seu canto no vale.

Xavier no lugar onde se sente à vontade

Xavier no lugar onde se sente à vontade

um rio de cana

um rio de cana

reco-reco

reco-reco

pink floyd ou júnio barreto

pink floyd ou júnio barreto

um símbolo roseano no norte de Minas, a paciência do boi

um símbolo roseano no norte de Minas, a paciência do boi

Com paciência, também vimos os bichos que vieram se exibir, nos deixando entender que já não soamos tão estranhos nessa terra vermelha de onde não viemos, mas onde fomos acolhidos como tange o escancarar da porteira. O sol deixa de ser sotaque, paisagem e assume aqui em Salinas seu papel de astro-rei. Debaixo desse sol, luz e paciência são condição pra chegar onde se quer.

anú

anú

olha a coruja ou a coruja é quem olha?

olha a coruja ou a coruja é quem olha?

atravessando a estrada

atravessando a estrada

a jibóia, tomando sol

a jibóia, tomando sol

indo pra casa, fugindo da gente-ruim

indo pra casa, fugindo da gente-ruim