Posts Tagged: Música


26
ago 10

FAD 2010

No dia 03 de setembro, Chico, Tatu e Fabiano se apresentam no Teatro Klaus Vianna, na OI Futuro, a partir das 20h00. A programação está imperdível. Acompanhem no site do FAD os simpósios, as performances, laboratórios e mostras.

Por aqui você poderá acompanhar um pouco da nossa proposta, em andamento, sendo desenvolvida a partir de pesquisa descrita aqui. A partir da semana que vem um dia-a-dia da preparação da performance, imagens, sons, referências, contexto…

tatu guerra, fabiano fonseca e chico de paula

tatu guerra, fabiano fonseca e chico de paula

acompanhem!!!!!


7
jul 10

MAQUINOMEM

MAQUINOMEM é uma proposta audiovisual, em andamento, realizada por Chico de Paula, Fabiano Fonseca e Tatu Guerra. O objetivo é a criação de uma performance que experimente os limites da criação, considerando o computador como aliado e co-autor das obras geradas.

O conteúdo audiovisual se baseia no raciocínio do jogo de dominó. Cada integrante interfere na ação do outro propondo interações sonoras, alternando andamentos e ambiências. Os computadores estão conectados via midi, criando interferências nas ações executadas pelo outro.
A partir das sessões de improviso e LIVE PA anteriores, e mesmo em cada ensaio, cada um dos integrantes registra loops em seu computador. São criadas traduções visuais para esses loops, que são modificadas na medida em que o experimento avança. O computador que exibirá as combinações visuais também estará ligado em midi, gerando interferências na “partitura”musical, criada graficamente a partir dessas ações.

Na performance, 04 computadores interligados via midi (03 com softwares de áudio, 01 somente com vídeo) estão programados para gerar interferências entre eles de modo a “comandar” a performance dos integrantes, de maneira a inverter a lógica de criação, gerando novos loops para a próxima apresentação. Alguns dos computadores são programados para executar os loops em ordem aleatória, gerando alternâncias imprevistas para os artistas em cena, que tem que se adaptar a essas mudanças.

mapa de palco

mapa de palco

A intenção do vídeo é traduzir graficamente para a audiência a “partitura”executada. As 3 telas redondas colocadas em frente aos artistas, representam graficamente a execução de cada um deles. A meia-esfera colocada acima do set tem como projeção a combinação da ação dos 03, além da possibilidade da inclusão de camadas sobrepostas, criando uma representação visual, também gerada pelo sistema a partir das interações programadas.

as telas

as telas

Desta maneira, a performance propõe criar um sistema gerador de som e imagens a partir de um banco criado, com capacidade para modificá-lo estruturalmente, de maneira que seja impossível definir quem detenha o comando das ações em cena. O jogo de dominó na performance acontece entre homem e máquina.


25
mai 10

ÚLTIMOS DIAS

Em Nova Matrona, distrito criado pela lei nº 1435, de 20-12-1999 e incorporado à Salinas, passamos os últimos dias por aqui. Entre crianças folgando na praça, colheitas de tomate, plantações de cana, forró e futebol, nos misturamos um pouco. Conhecendo o  sal da terra, da “melhor terra do Brasil”. Entre a gente do sertão, como diz Eilton, Matrona sai sempre na frente. Se depender de Zezé e sua gente, sai mesmo. Salinas vive em cada distrito, em cada pessoa, sua singularidade e multiplicidade. As diferenças compõem o retrato que penduramos nas paredes das fazendas. A relação com o (vasto) mundo é enorme. Dos figurinos às linguagens, etnias, paisagens. Até choveu, no seco da terra que pode ainda melhorar. No vermelho da paisagem, que cola em nossos pés, fica a saudade do tempo entre a gente que sabe bem que seus valores estão além da cachaça, que é finíssima, sempre. A cultura dessa região é fundamental pra se entender quem somos. Minas está ainda viva aqui, em sua melhor forma. Salinas ainda fornece o ingrediente que não pode faltar no tempero de nossa alma mineira.

cada peão com seu corcel

cada peão com seu corcel

tudo começa cedo

tudo começa cedo

cultivo da melhor terra do Brasil

cultivo da melhor terra do Brasil

cultivo

entre o azul e o encarnado

figurino de guerrilha, sol de deserto; trabalho árduo

figurino de guerrilha, sol de deserto; trabalho árduo

cores vivas

cores vivas

sol de deserto sombreando contornos

sol de deserto sombreando contornos

o mar de cana, em ondas

o mar de cana, em ondas

sombra fresca; tempo dilatado

sombra fresca; tempo dilatado

o gol que só Adélia acha que nunca repetirá

o gol que só Adélia acha que nunca repetirá

um gol de cada em cada tempo; tempo de comemorar

um gol de cada em cada tempo; tempo de comemorar

em Matrona nenhuma, chuva que é boa impede festa

em Matrona nenhuma, chuva que é boa impede festa

ruas de gente e gente

ruas de gente e gente

escoando pelas esquinas

escoando pelas esquinas

pode balançar, pode balançar....

pode balançar, pode balançar....


20
mai 10

ORQUESTRA SANFÔNICA

Nesta noite tivemos o prazer de ouvir parte da Orquestra performar pra gente. Belas interpretações, vivas, de músicas que se tornaram clássicos…O Maestro Serginho conduz os sanfoneiros com o que é próprio de seu ofício. E dobra, sanfona…

no teatro de arena do novo centro cultural

no teatro de arena do novo centro cultural

dobra, dobra, sanfoneiro dobra a sanfona

dobra, dobra, sanfoneiro dobra a sanfona

maestro compenetrado

maestro compenetrado


17
mai 10

MÃE RAINHA

Na despedida de Marília, passamos pela coroação da Mãe Rainha, organizada pelo Padre Adão. Desde a procissão na Matriz de São Geraldo até a missa e a quermesse, acompanhamos o fervor salinense. Sempre cheias de gente as festas. Sempre a devoção cantando e guiando Minas, no meio do sertão e da dureza de um sol úmido.

no andar do andor

no andar do andor

bandeiras, entradas da junho e julho que se aproximam

bandeiras, entradas de junho e julho que se aproximam

há tempos não via uma imagem religiosa forte assim

há tempos não via uma imagem religiosa forte assim

rosa é a cor do céu, quem duvida?

rosa é a cor do céu, quem duvida?

a santa se inclina pra receber as coroas da mão de outra

a santa se inclina pra receber as coroas da mão de outra


16
mai 10

REPRESA, ÁGUA E FESTA

Em Salinas, até pouco tempo atrás, água era raridade. Construída pela Cemig na década de 1990, a represa de Salinas possui cerca de 6 quilômetros quadrados de espelho d’água. É uma das maiores do Norte de Minas e resolveu, definitivamente, o problema de abastecimento de água no município. (fonte:  Saudade de Salinas)

Fomos à represa presenciar um encontro de pescadores, ouvir modas de viola, comer boa carne, beber boa cachaça e ainda ganhar apelidos e rir bastante do bom e afinado humor local. Primeiramente numa parada para encontro no Boca de Vaca, a festa se encerrou com cantoria na casa do Dr Luciano, que também nos levou por um passeio pela barragem, linda, num fim de tarde não menos hospitaleiro.

Romeu, pescador e protetor do Dr Luciano, costuma colocar uma piaba na água destinada ao Dr nas pescarias, para que ele não morra afogado. Captar imagens e histórias é como pescar. Entender o tempo, os peixes e ter paciência são ingredientes fundamentais. A nossa pescaria, por outro lado, mostra os peixes e nunca precisa comprá-los no mercado na volta pra casa…

na primeira parada, a carne já assava quando chegamos

na primeira parada, a carne já assava quando chegamos

teve quem tentasse fingir que foi pra pescar

teve quem tentasse fingir que foi pra pescar

trazendo a picardia

trazendo a picardia

quem brinca com água se queima na cama?

quem brinca com água se queima na cama?

Dr Luciano

Dr Luciano

fim da tarde, a terra cora

fim da tarde, a terra cora

vasto espelho d'água

vasto espelho d'água

a barragem: limite entre o ar e a água

a barragem: limite entre o ar e a água

remando contra a corrente

remando contra a corrente

ilhas na barragem, várias, paraísos na água

ilhas na barragem, várias, paraísos na água

em direção à cor do sol

em direção à cor do sol

em Boca de Vaca, o fumo é de rolo

em Boca de Vaca, o fumo é de rolo

alegria e cantoria: não faltavam em mim e em ninguém

alegria e cantoria: não faltavam em mim e em ninguém

Quando Salinenses se reúnem, sempre tem história boa, verdadeira ou não, pouco importa, como diz o Guto, Salinense ausente. Importa é a ciência dos fatos e o veredito das hostes. Pra quem quer saber mais, além do blog citado acima, tem também o do Roberto Santiago, escritor, completa referência sobre a cidade.


15
mai 10

VILA SOBRADINHO, N Sra De FÁTIMA

Há tempos não via uma coroação. Nesta quinta assistimos a de N Sra de Fátima, organizada pelos festeiros da Vila Sobradinho. Padre Dandão, como um ou outro membro da paróquia o chama, também organiza a festa pra Mãe Rainha, com procissão no domingo. Estaremos lá, revendo as manifestações de fé do povo mineiro.

A Vila Sobradinho é um resultado da barragem Salinas, que visitaremos no dia seguinte, pra acompanhar uma festa profana, dos pescadores, pra celebrar a amizade. Na missa, os cantos e acelebração é solene e informal, no quintal. N Sra de Fátima nos recebeu com caldo de amendoim, canjica, música e a costumeira hospitalidade. No quintal não existem portas nem seleção. Todos podem entrar.

Igreja N Sra de Fátima

Igreja N Sra de Fátima

são ou não, anjos?

são ou não, anjos?


14
mai 10

INSTITUTO AGROTÉCNICO

Visitamos hoje o Instituto, assistimos a uma aula de marketing pra turma do último ano de Tecnólogos em Cachaça, conversamos com a Edilene Alves Barbosa, coordenadora do curso e, de quebra, presenciamos uma prova de degustação, num laboratório finíssimo, extremamente bem montado. A estrutura do curso é invejável. A capacidade (hoje são cerca de 10 professores se doutorando em cachaça) e as pesquisas, requisitadas por todo o país, demonstram isso – inclusive dando assistência à AMPAC.

uma das instalações

uma das instalações

Edson, na aula de marketing

Edson, na aula de marketing

Gislane

Gislane

Cleide

Cleide

Jovanir

Jovanir

Dayany

Dayany

Patrícia Mayumi

Patrícia Mayumi

Paulo

Paulo

Clarice Glace

Clarice Glace

Abraão

Abraão

Fagner

Fagner

Éder

Éder

Catiane

Catiane

Edilene A. BArbosa

Edilene A. BArbosa

preparando as amostras pra serem degustadas

preparando as amostras pra serem degustadas

esperando pra provar

esperando pra provar

Em tempo: está por vir uma cachaça produzida por eles- quem experimentou diz ser de altíssima qualidade. A Reserva do Tecnólogo promete. Em terra de tradição no produto, no lugar onde se aprende cientificamente o que a experiência e a vida fornecem como material de labuta e estudo, essa é uma que eu não quero deixar de conhecer. Imagine uma cachaça produzida por exímios provadores, treinados e capacitados para tal, desenvolvendo todos os ítens da percepção sensorial necessários pra se reconhecer uma boa cachaça? Com o conhecimento e os sentidos caminhando juntos, no Instituto em Salinas a vida e a ciência se unem magistralmente.


10
mai 10

Eilton, Nova Matrona, Patricinho e Augusto

Nesse dia fomos conversar com Eilton, que produz a Canarinha: a segunda melhor cachaça do Brasil. Eilton é também vereador, presidente da Associação dos Produtores de Cachaça Artesanal, patrocinador do excelente time de futebol feminino que venceu a Primeira Copa neste domingo, por 3×1, num jogão. Surpreendente a qualidade das meninas em campo…

Além da sabedoria em negociar – como o tio Anysio, comprar da produção limitada, acompanhada passo a passo no maior esmero, não é tarefa fácil. Fácil é a prosa, o respeito à família e a visão paciente de quem não tem pressa de continuar produzindo melhor.

Quis nos receber na casa de seu pai, onde conversamos, e de onde seguimos, em companhia fundamental do Zoneti e de Zezé, riso solto, língua afiada. Zezé nos guiou a Patricinho, onde conversamos com Augusto, descendente dos negros que desceram de Catité, na Bahia, pra construir em Salinas uma história de muita luta, dificuldade e êxitos. Com 45 anos, Augusto tem sabedoria de uma eternidade. A fina nobreza do Patricinho. Além da história, nos recebeu com prosa diversa, cachaça e ervas pra nos curar dos males do dia, carne pra acompanhar e ainda uma viola no fim da noite. Mesmo impossível de afinar, cantigas e paulistas sairam, assim como algumas da folia, até mesmo à capela, cantadas por Augusto no início do cair da tarde. Ficamos até já escuro, quando retornamos pra uma rápida parada em Nova Matrona – se dependesse de Zezé, nem tínhamos saído de lá ainda – e voltamos pro jantar, cama e folga de domingo, pra assistir Nova Matrona x Taiobeiras (final do feminino de futebol).

Uma prosa, quando fica antiga, gera compromisso pra uma nova.

como entender as características da cachaça

como entender as características da cachaça

chegando no Patricinho, casa de Augusto

chegando no Patricinho, casa de Augusto

janela lateral

janela lateral

o sertão tem bom gosto e personalidade

o sertão tem bom gosto e personalidade

Zezé, guia de trajeto e risadas

Zezé, guia de trajeto e risadas

o vereador atento

o vereador atento

Augusto, anfitrião, nos esperando desde manhã

Augusto, anfitrião, nos esperando desde manhã

acendendo o roludo

acendendo o roludo

pito

pito

"me perguntou a distância, eu falei: Zezé é quem sabe."

"me perguntou a distância, eu falei: Zezé é quem sabe."

o que queria pro povo daqui era água

"o que eu queria pro povo daqui era água."

João, violeiro e cantador de modas, puxador das folias

João, violeiro e cantador de modas, puxador das folias


10
mai 10

MERCADO

Como disse Jarbas, a horta foi um dos grandes sinais da direção do avanço na produção local. Nos finais de semana em Salinas, o que mais esquenta é o mercado local. Do lado de fora, desde cedinho, quando chegam as mercadorias, quando as pessoas começam a abastecer suas casas com o melhor, o mais escolhido, o mais vistoso. Os sons são os que a gente imagina de um mercado originado na troca, na barganha. Galinhas, doces, verduras, frutas, legumes, cafés, roupas, acessórios, panelas, artesanato e ainda o sal.

Fomos num raro dia de céu fechado. Um pouco de lá pra dar uma idéia…