Posts Tagged: poesia


17
mai 10

PRETO CÂNDIDO

Preto Cândido e Antônia nos receberam na Fazenda Olinda, com uma prosa afinada, além de um café delicioso. Casados desde 45, a harmonia entre eles se espalha pela casa e pela propriedade. Desde as árvores beirando a cerca até cada detalhe de cada plantação ou criação, tudo impressiona, pela qualidade, limpeza, organização e beleza. Oito filhos criados com a lavoura, muita simplicidade, dignidade e inteligência, além de uma educação primorosa, percebida em cada trabalhador da Fazenda Olinda. Pode até parecer conto, mas cada animal dali tem a mesma elegância, porte e delicadeza. Quem duvida? Vá a Matrona e comprove…

espreitando o tempo

espreitando o tempo

tração animal

tração animal

recepção sempre calorosa

recepção sempre calorosa

pense numa afinidade...

pense numa afinidade...

a história pendurada na parede

a história pendurada na parede

Depois, de lá voltamos a Salinas, com a impressão de que a cada dia podemos nos surpreender com a generosidade e integridade dessa gente, que a cidade grande já não tem serventia pra paz que a gente encontra por aqui.

Paramos no caminho, pra olhar Ferreirópolis um pouco mais de perto e fomos circular por Slainas, pra observar um pouco mais dos hábitos da cidade.

Ferreirópolis, no caminho de Nova Matrona

Ferreirópolis, no caminho de Nova Matrona

motos e bicicletas, duas constantes

motos e bicicletas, duas constantes


17
mai 10

MÃE RAINHA

Na despedida de Marília, passamos pela coroação da Mãe Rainha, organizada pelo Padre Adão. Desde a procissão na Matriz de São Geraldo até a missa e a quermesse, acompanhamos o fervor salinense. Sempre cheias de gente as festas. Sempre a devoção cantando e guiando Minas, no meio do sertão e da dureza de um sol úmido.

no andar do andor

no andar do andor

bandeiras, entradas da junho e julho que se aproximam

bandeiras, entradas de junho e julho que se aproximam

há tempos não via uma imagem religiosa forte assim

há tempos não via uma imagem religiosa forte assim

rosa é a cor do céu, quem duvida?

rosa é a cor do céu, quem duvida?

a santa se inclina pra receber as coroas da mão de outra

a santa se inclina pra receber as coroas da mão de outra


16
mai 10

REPRESA, ÁGUA E FESTA

Em Salinas, até pouco tempo atrás, água era raridade. Construída pela Cemig na década de 1990, a represa de Salinas possui cerca de 6 quilômetros quadrados de espelho d’água. É uma das maiores do Norte de Minas e resolveu, definitivamente, o problema de abastecimento de água no município. (fonte:  Saudade de Salinas)

Fomos à represa presenciar um encontro de pescadores, ouvir modas de viola, comer boa carne, beber boa cachaça e ainda ganhar apelidos e rir bastante do bom e afinado humor local. Primeiramente numa parada para encontro no Boca de Vaca, a festa se encerrou com cantoria na casa do Dr Luciano, que também nos levou por um passeio pela barragem, linda, num fim de tarde não menos hospitaleiro.

Romeu, pescador e protetor do Dr Luciano, costuma colocar uma piaba na água destinada ao Dr nas pescarias, para que ele não morra afogado. Captar imagens e histórias é como pescar. Entender o tempo, os peixes e ter paciência são ingredientes fundamentais. A nossa pescaria, por outro lado, mostra os peixes e nunca precisa comprá-los no mercado na volta pra casa…

na primeira parada, a carne já assava quando chegamos

na primeira parada, a carne já assava quando chegamos

teve quem tentasse fingir que foi pra pescar

teve quem tentasse fingir que foi pra pescar

trazendo a picardia

trazendo a picardia

quem brinca com água se queima na cama?

quem brinca com água se queima na cama?

Dr Luciano

Dr Luciano

fim da tarde, a terra cora

fim da tarde, a terra cora

vasto espelho d'água

vasto espelho d'água

a barragem: limite entre o ar e a água

a barragem: limite entre o ar e a água

remando contra a corrente

remando contra a corrente

ilhas na barragem, várias, paraísos na água

ilhas na barragem, várias, paraísos na água

em direção à cor do sol

em direção à cor do sol

em Boca de Vaca, o fumo é de rolo

em Boca de Vaca, o fumo é de rolo

alegria e cantoria: não faltavam em mim e em ninguém

alegria e cantoria: não faltavam em mim e em ninguém

Quando Salinenses se reúnem, sempre tem história boa, verdadeira ou não, pouco importa, como diz o Guto, Salinense ausente. Importa é a ciência dos fatos e o veredito das hostes. Pra quem quer saber mais, além do blog citado acima, tem também o do Roberto Santiago, escritor, completa referência sobre a cidade.


15
mai 10

VILA SOBRADINHO, N Sra De FÁTIMA

Há tempos não via uma coroação. Nesta quinta assistimos a de N Sra de Fátima, organizada pelos festeiros da Vila Sobradinho. Padre Dandão, como um ou outro membro da paróquia o chama, também organiza a festa pra Mãe Rainha, com procissão no domingo. Estaremos lá, revendo as manifestações de fé do povo mineiro.

A Vila Sobradinho é um resultado da barragem Salinas, que visitaremos no dia seguinte, pra acompanhar uma festa profana, dos pescadores, pra celebrar a amizade. Na missa, os cantos e acelebração é solene e informal, no quintal. N Sra de Fátima nos recebeu com caldo de amendoim, canjica, música e a costumeira hospitalidade. No quintal não existem portas nem seleção. Todos podem entrar.

Igreja N Sra de Fátima

Igreja N Sra de Fátima

são ou não, anjos?

são ou não, anjos?


14
mai 10

INSTITUTO AGROTÉCNICO

Visitamos hoje o Instituto, assistimos a uma aula de marketing pra turma do último ano de Tecnólogos em Cachaça, conversamos com a Edilene Alves Barbosa, coordenadora do curso e, de quebra, presenciamos uma prova de degustação, num laboratório finíssimo, extremamente bem montado. A estrutura do curso é invejável. A capacidade (hoje são cerca de 10 professores se doutorando em cachaça) e as pesquisas, requisitadas por todo o país, demonstram isso – inclusive dando assistência à AMPAC.

uma das instalações

uma das instalações

Edson, na aula de marketing

Edson, na aula de marketing

Gislane

Gislane

Cleide

Cleide

Jovanir

Jovanir

Dayany

Dayany

Patrícia Mayumi

Patrícia Mayumi

Paulo

Paulo

Clarice Glace

Clarice Glace

Abraão

Abraão

Fagner

Fagner

Éder

Éder

Catiane

Catiane

Edilene A. BArbosa

Edilene A. BArbosa

preparando as amostras pra serem degustadas

preparando as amostras pra serem degustadas

esperando pra provar

esperando pra provar

Em tempo: está por vir uma cachaça produzida por eles- quem experimentou diz ser de altíssima qualidade. A Reserva do Tecnólogo promete. Em terra de tradição no produto, no lugar onde se aprende cientificamente o que a experiência e a vida fornecem como material de labuta e estudo, essa é uma que eu não quero deixar de conhecer. Imagine uma cachaça produzida por exímios provadores, treinados e capacitados para tal, desenvolvendo todos os ítens da percepção sensorial necessários pra se reconhecer uma boa cachaça? Com o conhecimento e os sentidos caminhando juntos, no Instituto em Salinas a vida e a ciência se unem magistralmente.


14
mai 10

FÉ, HISTÓRIA

Fomos visitar a fazenda do Xavier, da Sabiá. Fomos ver a caldeira histórica, vinda dos ingleses, os animais de sua fazenda e também conhecer o antigo oratório de sua mãe, forrado com os selos de cachaça de 1952, impressos pela Casa da Moeda. Este oratório simples, que ficava dentro da parede da fazenda da casa de seus pais, guarda e simboliza a união e valores ainda muito presentes em Salinas.

Símbolo da fé, coberto com os selos da cachaça, o oratório conta sozinho a história dos pais de Xavier. O que mais vale aqui é o amor preservado, na fé e no mosto fermentado da cana.

o oratório retirado da parede

o oratório retirado da parede

CR$

CR$R PARA VER

detalhes de um amor gravado no tempo e na fé

detalhes de um amor gravado no tempo e na fé

um casal selado na cumplicidade

um casal selado na cumplicidade

marcas permanecem

marcas permanecem

Xavier e sua mulher nos mostraram um pouco mais da hospitalidade do norte de Minas, num café delicioso com suco e pão de queijo da hora. Mostrou, além da fábrica, os bichos que povoam seu canto no vale.

Xavier no lugar onde se sente à vontade

Xavier no lugar onde se sente à vontade

um rio de cana

um rio de cana

reco-reco

reco-reco

pink floyd ou júnio barreto

pink floyd ou júnio barreto

um símbolo roseano no norte de Minas, a paciência do boi

um símbolo roseano no norte de Minas, a paciência do boi

Com paciência, também vimos os bichos que vieram se exibir, nos deixando entender que já não soamos tão estranhos nessa terra vermelha de onde não viemos, mas onde fomos acolhidos como tange o escancarar da porteira. O sol deixa de ser sotaque, paisagem e assume aqui em Salinas seu papel de astro-rei. Debaixo desse sol, luz e paciência são condição pra chegar onde se quer.

anú

anú

olha a coruja ou a coruja é quem olha?

olha a coruja ou a coruja é quem olha?

atravessando a estrada

atravessando a estrada

a jibóia, tomando sol

a jibóia, tomando sol

indo pra casa, fugindo da gente-ruim

indo pra casa, fugindo da gente-ruim


12
mai 10

CHUVA, GOTEIRA E PINGA

Ontem choveu. Gravamos na Rádio Difusora, a primeira transmissora de Salinas, e no mercado, as pessoas ouvindo o programa Campo e Cidade, do Oswaldo, desde o período experimental da rádio. A previsão é de termos tempo chuvoso até quinta. Sexta vejo Marília, que vem pro fim de semana e pra quermesse. E o sol volta.

dois dias sem ver essa cor no céu-que-nos-protege

dois dias sem ver essa cor no céu-que-nos-protege

Aproveitarmos para afiar a prosa no saguão do hotel, com Javas e com outros hóspedes. Javas sempre tem comentários irônicos e bem-humorados sobre qualquer situação (”deu um tapa na macaca, foi escutar Pink Floyd e começou a se abaixar fugindo da polícia”). Aqui passam professores, gente da mineradora, copasa, cemig, fazendeiros, juízes, com assuntos variados e vindos de diversos lugares. A prosa é sempre certa, seja sobre plantação, cachaça, escola, seleção ou comida. A indicação também é certeira, como o humor local.

Eilton, André, Zezé, Augusto e seu genro, João, Zonete e eu. prosa no Patricinho

Eilton, André, Zezé, Augusto e seu genro, João, Zonete e eu. prosa no Patricinho

quem pode dizer que a prosa tava ruim?

quem pode dizer que a prosa tava ruim?

Em cada lugar, cada conversa, Salinas se faz presente, hospitaleira, sedutora e como a cachaça, em fermentação. Nesses tempos, Salinas cresce, envelhecendo em tonéis de mineiridade, com uma sabedoria que parecia enterrada em Minas. Aqui, o Norte ainda vem do prazer.

moinho que estará no Museu da Cachaça

moinho que estará no Museu da Cachaça

Segunda conversamos com Sabino, que tem suas terras bem próximas ao centro de Salinas. Muito bem cuidadas, fazendo sua cachaça dentro de um critério de produtor que começou a produzir para o consumo próprio, dele e de seus irmãos. Conhece o cheiro e o sabor de uma boa cachaça, e usa seus sentidos no cuidado da produção, além dos técnicos. A cachaça é feita no capelo, desde o início, esquentado pelo fogo na caldeira, alimentado com o cuidadoso acompanhamento. Na sua produção, nada se perde. Nem o bagaço, nem as cinzas, nem o álcool. Pra alimentar os bois, adubar ou fazer combustível para seu carro. Tudo é aproveitado. Até a fumaça, como ele diz.

olho de boi

olho de boi

fogo fátuo

fogo fátuo

a água que resfria o "tromba de elefante"

a água que resfria o "tromba de elefante"

"a fumaça eu aproveito pra espantar os mosquitos que ficam incomodando a gente"

"a fumaça eu aproveito pra espantar os mosquitos que ficam incomodando a gente"

Hoje, fomos conhecer outro Aristides, o Artista, que é como é conhecido e como chama a todos. Extremamente organizado e cuidadoso, sua loja é arranjada de acordo com o jeito próprio com que mantém o local de trabalho. Mesmo na época em que não produz, tudo está limpo e organizado. Os tonéis de envelhecimento, onde sua cachaça fica por 7 anos, sua engarrafadora, seu alambique de capelo. Como Sabino, ele acredita que a cachaça do capelo é bem melhor, devido à maneira como o fogo aquece o seu produto. Riso solto e largo, Artista tem originalidade pra escolher rótulos, fazer cachaça e ganhar a vida com prazer e amor, que ele diz ser o ingrediente fundamental de seu produto. Imaginei como era a boléia de seu caminhão, se ele sempre foi assim organizado. Basta ver a sua fazenda, a represa, a irrigação, a fermentadora… “Quem é organizado, cuidadoso, asseado, nasce com isso. É de educação”. Como quem é Artista. Nasceu com isso dentro de si. Só fez cultivar com cuidado.

"se não nascesse com a gente, rico nascia feio e operava pra ficar bonito"

"se não nascesse com a gente, rico nascia feio e operava pra ficar bonito"

O tempo não para de passar, mas aqui ele não corre. Pra onde ir é escolha de quem segue o tempo. A escolha é sempre a prova da sabedoria. Como disse Artista: “ce já viu lugar que não tem treita e mulher bonita e feia?”


10
mai 10

Eilton, Nova Matrona, Patricinho e Augusto

Nesse dia fomos conversar com Eilton, que produz a Canarinha: a segunda melhor cachaça do Brasil. Eilton é também vereador, presidente da Associação dos Produtores de Cachaça Artesanal, patrocinador do excelente time de futebol feminino que venceu a Primeira Copa neste domingo, por 3×1, num jogão. Surpreendente a qualidade das meninas em campo…

Além da sabedoria em negociar – como o tio Anysio, comprar da produção limitada, acompanhada passo a passo no maior esmero, não é tarefa fácil. Fácil é a prosa, o respeito à família e a visão paciente de quem não tem pressa de continuar produzindo melhor.

Quis nos receber na casa de seu pai, onde conversamos, e de onde seguimos, em companhia fundamental do Zoneti e de Zezé, riso solto, língua afiada. Zezé nos guiou a Patricinho, onde conversamos com Augusto, descendente dos negros que desceram de Catité, na Bahia, pra construir em Salinas uma história de muita luta, dificuldade e êxitos. Com 45 anos, Augusto tem sabedoria de uma eternidade. A fina nobreza do Patricinho. Além da história, nos recebeu com prosa diversa, cachaça e ervas pra nos curar dos males do dia, carne pra acompanhar e ainda uma viola no fim da noite. Mesmo impossível de afinar, cantigas e paulistas sairam, assim como algumas da folia, até mesmo à capela, cantadas por Augusto no início do cair da tarde. Ficamos até já escuro, quando retornamos pra uma rápida parada em Nova Matrona – se dependesse de Zezé, nem tínhamos saído de lá ainda – e voltamos pro jantar, cama e folga de domingo, pra assistir Nova Matrona x Taiobeiras (final do feminino de futebol).

Uma prosa, quando fica antiga, gera compromisso pra uma nova.

como entender as características da cachaça

como entender as características da cachaça

chegando no Patricinho, casa de Augusto

chegando no Patricinho, casa de Augusto

janela lateral

janela lateral

o sertão tem bom gosto e personalidade

o sertão tem bom gosto e personalidade

Zezé, guia de trajeto e risadas

Zezé, guia de trajeto e risadas

o vereador atento

o vereador atento

Augusto, anfitrião, nos esperando desde manhã

Augusto, anfitrião, nos esperando desde manhã

acendendo o roludo

acendendo o roludo

pito

pito

"me perguntou a distância, eu falei: Zezé é quem sabe."

"me perguntou a distância, eu falei: Zezé é quem sabe."

o que queria pro povo daqui era água

"o que eu queria pro povo daqui era água."

João, violeiro e cantador de modas, puxador das folias

João, violeiro e cantador de modas, puxador das folias


10
mai 10

MERCADO

Como disse Jarbas, a horta foi um dos grandes sinais da direção do avanço na produção local. Nos finais de semana em Salinas, o que mais esquenta é o mercado local. Do lado de fora, desde cedinho, quando chegam as mercadorias, quando as pessoas começam a abastecer suas casas com o melhor, o mais escolhido, o mais vistoso. Os sons são os que a gente imagina de um mercado originado na troca, na barganha. Galinhas, doces, verduras, frutas, legumes, cafés, roupas, acessórios, panelas, artesanato e ainda o sal.

Fomos num raro dia de céu fechado. Um pouco de lá pra dar uma idéia…


1
jan 10

EXPERIÊNCIA NÚMERO 01

Texto e conteúdo. Uma tela de descanso e uma brincadeira com os nossos “produtos”, em permanente construção, a partir de poema de Chico de Paula. Programação inicial de Marília Bérgamo. Brinque de clicar nas letras verdes…

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