Imagens das primeiras gravações do conteúdo audiovisual do Museu da Cachaça, em Salinas, projeto realizado em parceria com a Ciclope para a Prefeitura de Salinas e o Governo de Minas. As fotos relativas ao projeto da Mata Atlantica e das cidades históricas estão no blog da Ciclope.
Aqui alguns registros da viagem pelo universo mineiro da cachaça.
Esta etapa, iniciada em Caeté, começou com uma visita ao Paulo Diogo Monteiro de Barros, que coleciona cachaça desde 1970, ano do tri. Curiosamente, alguns anos depois, sequestraram dele uma garrafa da Pelé, uma cachaça feita em SP nos anos 50, com pedido de resgate. Ele nos contou a história e mostrou o bilhete dos sequestradores escrito no livro de visitas de seu museu…

Paulo e seu filho Paulo Henrique
Depois, viagens pelos parques do Rio Doce, Caraça e uma breve passagem por Mariana – fotos na Ciclope. Antes de seguirmos rumo a Salinas, parte da expedição seguiu para Esmeraldas. Lá descobrimos o esmero e a delicadeza na produção de uma cachaça primorosa, a Prazer de Minas, ciceroneados por Euller (um produtor pós-graduado em Cachaça pela UFLavras) e sua equipe, finíssima, que fazem uma cachaça com índice de acidez 18! A cachaça envelhecida 10 anos em carvalho americano, em tonéis que eram do Jack Daniels, é incomparável.

plantação de cana no meio da mata, uma pequena reserva de cerrado

a espécie-cana, matéria-prima

o corte seguro da cana-de-açúcar

do canavial ao alambique

a bebida alcoólica ganhando sabedoria

bom humor, um prazer de minas
Das preciosas canas de Esmeraldas ao caminho de Salinas, a meca brasileira da cachaça de qualidade. No trajeto, parada em Jaboticatubas/Cardeal Mota, pé da serra do cipó, para apreciar um moinho e alambique com mais de 100 anos, conversar com Cristiano – que ainda tem tropa, monta e faz trajetos, como seu avô – e com Cristina, contemporânea de minha mãe em Conceição do Mato Dentro. Em Minas, as relações pessoais podem ser vastas como a nossa cultura.

o moinho-reflexo da fazenda

a madeira conduzindo a água sobre a terra

água do cipó

venda doZeca, parada mais que obrigatória
Daí, estrada até Diamantina. E tome terra. E tome chacoalho. Numa parada pra aprumar as bagagens em cima da D20, uma apreciação dos fins de dia em Maio.

voo solitário

por entre árvores e céus

os melhores arranha-céus
Dormimos em Diamantina, onde um erro nos fez mudar de pouso à noite; cansados, mas pra ganhar a recompensa de uma bela dormida e um belo café da manhã na Pousada do Garimpo, onde fomos acolhidos do nosso infortúnio com hospitalidade ímpar.
Dia seguinte: rumo a Salinas.
Numa parada em Virgem da Lapa, onde uma imagem encontrada numa gruta deu origem ao nome do lugar, sítio da mineração, onde os domingos são fechados pra balanço. Quase tudo parado, quase nada aberto. Almoço rápido e pé na estrada.

o vazio, pessoas contadas nos dedos nas marquises e portas fechadas, na pouca sombra oferecida

parados na porta da lanchonete, na pouca sombra do outro lado
À noite, em Salinas, inicamos com o maior prazer mineiro: a prosa. Já na chegada, no hotel Brasil Palace, a receptividade e os casos de Chicão, o proprietário, entre goles de sua famosa cachaça à disposição para doses rejuvenecedoras durante as idas e vindas, um abre-apetite. Além da equipe do hotel, as conversas sempre bem humoradas e em leve tom de provocação de Javas, quando chegamos à noite. Segunda pela manhã, prosa com o poeta-Secretário de Turismo Zoneti e a equipe da Prefeitura de Salinas. Situação da cidade, do Museu, casos, personagens, Salinas se apresenta em sua melhor performance. Sotaque, trejeitos e mineirice em sua melhor forma. Aqui a hospitalidade vai nos acompanhar por onde passarmos.

Tonico: produtor da Salineira (havaninha) e melhor amigo de Anísio Santiago
Tonico nos contou casos de Anísio Santiago, do caráter típico de um dos mitos na produção da cachaça de qualidade. Além de que, sempre bem humorado, nos fez rir bastante à saída com suas piadas. A fina flor da gentileza.

Dóro Brasamundo: show particular em mais um por de sol do início de maio
Dóro (Teodoro) é um sanfoneiro da melhor qualidade que toca a Pé-de-Bode em festas pela região e gravou vários discos. Artista originário de Brasamundo, hoje reside em Salinas com sua família.

alquimias de Nivaldo e Célia: pomar, cachaça e hospitalidade
Nivaldo é um dos produtores locais que acredita na pesquisa e preconiza a indicação de procedência. Nos contou sobre idéias como a de criar um cinturão verde para incentivar os pequenos produtores de cana locais a sairem da ilegalidade e sobre a possibilidade de descobertas como a de leveduras endêmicas da região, além de um passo-a-passo da produção da cachaça.

do início da cachaça em Salinas aos modos de produção modernos: Sr João da Lua Cheia
João é um dos que iniciaram a produção em Salinas. E ainda hoje produz, incorporando os novos métodos e critérios. Também de uma geração onde a delicadeza e o caráter fazem parte da personalidade.

Rafael: como identificar uma boa cachaça
Rafael Daconti, ítalo-pernambucano que se prendeu em Salinas, além de um humor peculiar, de histórias divertidíssimas e interessantes, é músico, conserta panelas, sapatos e cura picadas de abelha com um sumo de folhas verdes. Além de uma série de pinturas de Salinas, fez alguns bicos de pena com imagens da cidade que certamente teremos que registrar.
Primeiros dias, primeira lição: como identificar uma prosa com tempo e vocabulário roseano numa locação acalorada. Em todos os sentidos.